Clichê: ele pode ser óbvio para você, mas incrível para os outros.
Categoria: Dicas de criação · Inspirações · Novidades
Postado por Juliana Koetz em 03 de fevereiro de 2017 às 14:11 |


Mais cedo ou mais tarde o clichê vai acontecer: você trabalha em uma história e chega no clímax, pensa, repensa, desmonta o enredo, leva para cá, para lá. Tem uma ideia. É a ideia perfeita para a sua história. Você começa a escrever… E ela parece óbvia demais.

Fotografia ilustrando o texto Clichê: óbvio para você, incrível para os outros. Na foto uma mão entrega uma flor para outra mão. No fundo da imagem, uma paisagem verde com montanhas e nuvens.

 

A primeira sensação pode ser de que esteja escrevendo um clichê enorme, mas você já parou para pensar que provavelmente todas as suas ideias podem ser óbvias apenas para você?

Esse texto foi inspirado em um vídeo no Youtube. Infelizmente está em inglês e não possui legendas, mas gostaria de destacar uma frase:

 

“Nós somos, claramente, 
péssimos juízes de nossas 
próprias criações. Nós 
deveríamos as colocar para 
fora e deixar o mundo 
decidir sobre suas 
qualidades.”

 

 

As histórias que você cria foram desenvolvidas no seu interior. Elas são baseadas nas suas experiências e nas conexões que você criou. É natural que ao conceber uma ideia ela pareça muito óbvia. Por isso utilizar um recurso ou desfecho que para você soe clichê, pode ser incrível.

 

Vejamos um exemplo: Freud.

 

Um autor passa um ano lendo a respeito da teoria freudiana. Muitos dizem que ela é ultrapassada. Outras pessoas dizem que ele era problemático, que a psicanálise não é ciência ou simplesmente que o conteúdo é óbvio demais. Mesmo encantado com aquilo tratado nos textos originais de Freud, o autor é confrontado por julgamentos que o levam a sensações como estar errado ou não ser original.

Eis que o autor precisa escrever um texto com aprofundamento psicológico de personagens, mas não teve tempo hábil para pesquisar outras linhas teóricas. O que ele faz? Aplica, receoso, o que aprendeu. Exatamente o que para ele era tão óbvio (e para diversas pessoas ultrapassado e sem originalidade) acaba encantando leitores nada familiarizados com a teoria ou profundamente apaixonados por ela. 

O mesmo poderá acontecer com qualquer que seja a área ou experiência com que você tenha familiaridade. Traumas e alegrias, libertações e desesperos. Experiências que lhe parecem tão óbvias podem enriquecer o mix de sua história como nenhum outro ingrediente é capaz. São a sua maneira única de perceber tais assuntos.

 

Se só você acha clichê, que tal mudar o foco?

 

Então o foco está em você ou no seu leitor?

Na FLIP 2016, Bernardo Carvalho disse que não lhe interessava o leitor. Tudo bem, é uma forma de ser escritor – escrever para si, por si, como preferir e sem se importar com quem irá ler. Também é possível escrever pensando exclusivamente no mercado – começando o livro com uma busca de tendências.

Porém, problemas como “estar travado” na história podem surgir justamente porque você, autor, está preso demais ao que você quer ou acha que quer. Então, ao se ver em uma situação que você mesmo coloca esses entraves na frente do seu enredo, tire o foco de você. Seu leitor precisa entender o que você entende tão bem. Sua cena, óbvia em sua cabeça, será um nó desfeito na vida de quem lê.

Só você tem o poder de escrever suas experiências tão bem que chegue ao ponto de entregar respostas. Respostas às angústias e às confusões que o seu leitor vive – porque aquilo que é tão óbvio para você, pode ser incrível para os outros <3


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