Coerência textual: mantendo a voz narrativa de um texto
Categoria: Dicas de criação · Novidades
Postado por Daniel Cousland em 13 de fevereiro de 2017 às 23:03 |


Não somos as exatas cópias de quem éramos quando escrevemos um trecho anterior. Pode ter se passado um dia, uma semana ou até mesmo um minuto. Em um parágrafo apresentamos um narrador objetivo e de frases curtas, em outro ele abstrata e se alonga sem fim, abandonando a coerência textual.

Foto de um microfone profissional em um fundo roxo com sombras, ilustrando o texto de Coerência textual: mantendo a voz narrativa de um texto.

Um poema, um conto, um romance. Desenvolvidos como vômito ou pincelados como quadros. As possibilidades de criação são diversas, de acordo com o autor, sua intenção e momento de vida. Ao escrevermos estamos dando voz a algo. Esta voz é a responsável pela narrativa, por apresentar o texto ao leitor. E é muito importante que ela se mantenha, faça sentido, ou a leitura corre o risco de se perder, de se tornar incoerente.

Esses casos são comuns, e são um dos motivos pelos quais se revisa e se reescreve. Não que seja uma regra manter uma voz única durante um texto. A escrita é uma arte subjetiva e que “tudo permite”, mas se faz muito claro quando um escritor faz isso de propósito, demonstrando entendimento da ferramenta, expressando uma mudança de pensamento ou comportamento de um personagem, ou se foi um descuido, uma falha ou incapacidade de manter a coerência textual da narrativa.

Na busca de maneiras de lidar com esse problema, quando o mesmo surge, deve-se entender quem é nosso narrador – quem ele é como personagem, suas atitudes, pensamentos e reações.

No diálogo, por exemplo, se ele é um indivíduo de linguajar simples, não faz sentido que em certa parte utilize palavras rebuscadas sem motivo. Se um personagem pensa como fala, cheio de gírias e maneirismos, é extremamente notável o momento em que o mesmo deixa de fazê-lo. Mudanças de voz são fáceis de se notar, elas quebram imersão e causam incômodo ao leitor, por isso é tão importante que, caso um momento desses ocorra em nosso texto, ele signifique algo, seja proposital.

Devemos ler e reler nossos trechos, notarmos suas desarmonias, possíveis texturas de que há algo de errado com a personagem: com a maneira que está falando, com suas ideias, mesmo que dentro de seu formato estabelecido. Às vezes seu discurso não faz tanto sentido,  sua voz mudou, passa uma impressão de que “não é algo que ela falaria”. Em quaisquer ocasião desse tipo, onde se percebe a falta da coerência textual, localize trechos anteriores que estavam corretos, e entenda quando a personagem está sendo quem ela realmente é. Releia, internalize-os, e então aplique na parte destoante.

Cada escritor terá sua maneira de lidar com essas ocorrências, mas com toda certeza algo é fundamental: elas precisam ser notadas, não devem passar em branco. Não só em respeito ao leitor de nossas histórias, mas também em respeito à coerência e qualidade que almejamos em nossa própria obra.


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Fundador e editor do Boas Histórias, escritor e também o resultado dissociativo de si, pulando de telhado em telhado entre prosa, poesia, romances, tragédias, absurdos, realidade e fantasia. Persegue beleza e graça no uso das palavras, degustando ritmos urgentes e a leveza do ponderar. Resumo da obra: muito apaixonado por todo tipo de história.




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