Escreva histórias que só você pode escrever
Categoria: Dicas de criação · Novidades
Postado por Marcela Vitória em 29 de maio de 2017 às 22:19 |


Escrever é a necessidade de compartilhar uma história que precisa ser contada

Mulher sentada em um pasto, escrevendo com caneta em um caderno apoiado na outra mão, com montanhas verdes de fundo.

Quando comecei a escrever não tinha muita noção de que seria uma coisa tão importante na minha vida, só sabia que aquelas histórias que fervilhavam na minha imaginação deveriam ser passadas adiante. Personagens que podiam ser amigas, mundos que poderiam ser partilhados e o que vem depois do ‘felizes para sempre’ faziam parte dos enredos e fantasias que costumava criar.

Não seguia muitas regras, e, para ser sincera, nem prestava muita atenção nas aulas de gramática, que dirá entender de estrutura textual. Escrevia durante as aulas chatas e, naquelas folhas finas do fichário, colocava encontros e aventuras que precisavam existir. Talvez, naquela inexperiência pré-adolescente, tenha aprendido esse ensinamento precioso para a escritora que almejo ser: conte histórias que só você pode contar. (Obviamente desaprendi isso com o tempo, mas olhando pelo lado positivo, redescobrir coisas é sempre bom.)

Há alguns meses, li uma entrevista com o autor Neil Gaiman, em que, lá pelas tantas, o jornalista perguntava sobre regras que escritores aspirantes deveriam seguir para se tornarem best sellers. A resposta foi (em tradução livre):

“A regra principal sobre escrever é que se você fizer isso com suficiente segurança e confiança, você está autorizado a fazer o que quiser. (Isso pode ser uma regra para a vida, bem como para a escrita. Mas é definitivamente verdade para a escrita.) Então, escreva a sua história como ela precisa ser escrita. Escreva honestamente e do melhor jeito que puder. Não tenho certeza se existem outras regras. Não alguma que importe, pelo menos”.

E essa realização bateu tão forte que fez chover no meu interior, como a chuvarada que cai depois de muitos dias quentes. Existem tantas coisas que querem sair do pensamento para ganhar o mundo, que ficam trancafiadas em processos, inseguranças, alterações e desculpas, esperando uma oportunidade que nunca vem, porque só eu posso colocar elas para fora.

Escreva honestamente e faça o que quiser

 

Cada pessoa tem seu processo criativo, métodos e vícios de escrita, regras e mais regras, revisões e formatações para que a trama seja entregue da melhor forma. E isso é bem importante. Mas têm vezes que o processo mais atrapalha do que beneficia – experiência própria, tenho mania de editar as ideias antes mesmo de passar elas para o papel, o que normalmente acaba com a essência.

Deixar as palavras fluírem na humildade, do jeito que elas vêm, talvez seja a coisa mais importante para que a história tenha um pedaço da nossa alma. É dar um voto de confiança e acreditar no potencial da história. Libertar a imaginação faz o coração pular a cada palavra que se junta. O suspense, a contemplação, a felicidade e tudo que a gente projeta em um texto, ali concreto na página, pronto pro mundo. A edição vem depois, quando as palavras já levam tanto da nossa essência que aquela junção não pode ser confundida com a de outro autor. E, principalmente, carregam aquilo que estava dentro de nós e de ninguém mais.

Não tenho certeza se existem outras regras

Escrever é uma atividade tão íntima e livre que dizer que essa regra é absoluta não faz sentido. Eu, você e Neil Gaiman temos histórias únicas para contar e jeitos diferentes de organizar tudo o que queremos dizer, então faça como funciona para você, mas faça. Coloque no mundo as suas ideias do melhor jeito que você puder. : )


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é juntadora de palavras, designer e especialista em comunicação, sócia do estúdio criativo FLAMINGOwtf e agora colunista do Boas Histórias. Acredita que viver amassa a roupa e que palavras podem mudar o mundo. Escreve sobre tudo que faz o coração acelerar. Ama ouvir causos de pessoas mais velhas, sente que a experiência dá sentido e esperança para o que é contado. Lançou com a ilustradora Élin Godois o Guia de nós dois, um livro ilustrado para registrar histórias de amor.




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