Quentin Tarantino – da locadora ao meta-universo cinematográfico.
Categoria: Arte Que Inspira · Audiovisual · Novidades · Observatório Reflexivo
Postado por Juliana Koetz em 03 de fevereiro de 2017 às 18:14 |


Um tudo sobre Quentin Tarantino, aqui no Boas Histórias, precisa ser destinado para três tipos de pessoas: 1. você que acabou de descobrir o universo e quer entender mais sobre esse acontecimento cinematográfico; 2. você que já é tarantinete e quer verificar se sabe tudo sobre ele, se eu errei em algum ponto ou se deleitar relendo as peripécias do seu diretor favorito; e, finalmente, 3. você que acha Tarantino um kibador superestimado moldado para principiantes ou falsos cinéfilos. Por isso, lembre-se que irei conversar com todos os tipos ao longo da nossa jornada. Ou seja, em algum momento, você pode detestar o texto.

 

Quentin Tarantino interpretando Mr. Brown em uma cena de Cães de Aluguel.

 

Nele irei abordar alguns aspectos centrais sobre a carreira do diretor. Para que você leia aquilo que mais lhe interesse, um breve resumo:

 

1. Início da carreira, sua influência no cinema e produções audiovisuais a partir dos anos 90 e incentivo para aspirantes a cineastas sem grana nenhuma;

2. Pontos polêmicos – plágio e racismo;

3. Estilo – trilhas musicais, fotografia, edição e obsessões;

4. Filmes;

5. Universo Tarantinesco – tudo interligado!

 

Por hora, comecemos pelo começo.

 

Como Quentin Tarantino aconteceu

 

Temos aqui uma boa história. É possível negar alguns dos méritos atribuídos a Quentin Tarantino, mas é impossível dizer que a história da sua formação como diretor de cinema renomado não seja admirável e inspiradora. Arrisco dizer que ela foi responsável por manter muitos aspirantes a cineastas desde o lançamento de Cães de Aluguel em 1992 até hoje esperançosos e motivados a alcançar seus objetivos. Mesmo que sejam apenas balconistas sem grana nenhuma para bancar uma faculdade de cinema (e muito menos um filme).

Aos 21 anos, Quentin Tarantino trabalhava como balconista de uma videolocadora. Quem teve a oportunidade de frequentar esse tipo de estabelecimento com alguma assiduidade sabe muito bem o paraíso e o inferno que ele poderia ser. Dependia do tipo de atendente que trabalhasse nele – às vezes funcionário, às vezes dono. O profissional bom era uma espécie de grande amigo. Ele conhecia profundamente os seus gostos e nunca errava na indicação.

Até hoje nenhum algoritmo foi capaz de superar a qualidade de um balconista bom (cada vez que passeio pela Netflix sinto saudades do Fabiano da Vídeo Control). Então, o sucesso de uma videolocadora estava fadado a dois itens principais: o acervo e a qualidade do selo de indicação do cara que fosse atender. Nada muito diferente dos serviços de streaming hoje em dia, certo?

O ponto chave da história que estamos acompanhando é que para ser um balconista excelente era preciso conhecer o seu público e ser um cinéfilo insaciável. Tudo o que entrasse na locadora deveria ser devorado, digerido e entregue para as pessoas certas. E isso é a definição da carreira do Taranta.

 

10 Regras do Sucesso para Quentin Tarantino

[ative as legendas com tradução automática para português.]

Diga o que você quiser, mas ele sabe motivar um artista perdido.

 

Trabalhando em uma locadora, ele pôde passar todas as horas produtivas do início de sua vida adulta assistindo e reassistindo filmes. Se visse com atenção e recomendasse para as pessoas certas, fidelizaria os clientes. Esse foi o ambiente ideal para construção do profissional que ele se tornou. Seu conhecimento sobre cinema, especialmente enredos, se desenvolveu tanto que Tarantino conseguiu escrever Cães de Aluguel.

Mas como bem sabemos, escrever não é tudo o que você precisa para alcançar o sucesso. Você vai precisar de bons parceiros nessa caminhada. Os nomes chave do enredo da vida de Quentin Tarantino são Lawrence Bender, Havery Keitel e Harvey e Bob Weinstein.

Eu confesso que não me recordo dos detalhes, mas em algum making of (À Prova de Morte, Pulp Fiction, Cães de Aluguel ou Jackie Brown) Tarantino conta como Bender foi importante para a realização de Cães – além de claro, ser o produtor do filme. Lawrence Bender fazia teatro e uma de suas colegas conhecia Harvey Keitel. Keitel, por sua vez, conhecia os irmãos Weinstein. Assim, o roteiro pulou de mão em mão, impressionando todos que o liam e obtendo as condições de produção nece$$árias.

Em pouco tempo Tarantino era o diretor de um filme que se passa praticamente em uma única locação e que conseguiu fazer fãs decorarem falas com poucas semanas de exibição nos cinemas. Ele conta que ia às exibições dos filmes em pequenas salas de Hollywood e se deslumbrava ao ver os “garotos” entoando os diálogos de Cães ao mesmo tempo que os personagens. Dois anos depois do lançamento de Cães de Aluguel, chegava aos cinemas Pulp Fiction, que influenciou significativamente o audiovisual desde então.

 

[SPOILER ALERT – Pulp Fiction e Breaking Bad]

Breaking Bad // Pulp Fiction from Jorge Luengo Ruiz on Vimeo.

Do contra-plongée no porta mala influenciando grandes produções audiovisuais recentes até a trilha sonora que foi relembrada pelos Black Eyed Peas em Pump It: Pulp Fiction é destruidor mesmo, hein.

 

Em resumo, foi assim que o fã de filmes B Quentin Tarantino se tornou um dos principais nomes de Hollywood nos anos 90 e se colocou a correr lado a lado de grandes mestres – mas com uma pitada de cultura pop e referências a filmes antigos tão grande que tem sua obra taxada como um compilado de cópias e um resultado pouco original.

 

Referência vs Plágio

 

tarantinoreferences7

As referências de Quentin Tarantino são taxadas como plágio com frequência.

 

Quentin Tarantino é acusado por muitos fãs de cinema de ser um plagiador superestimado. Se você desenvolver o suficiente seu conhecimento sobre cinema, provavelmente se deparará com o conflito “gostar ou não gostar de Tarantino, eis a questão”, porque saberá que ele realmente vai muito longe com as referências  que faz. Mas qual profissional criativo não faz exatamente a mesma coisa?

Com tantos bilhões de pessoas no mundo, é possível ser completamente original? Eu duvido muito. Essa ideia, inclusive, já atravessou meu caminho algumas vezes. Em uma delas foi dita por Marcelo Falcão, do Rappa, em um programa da MTV em meados dos anos 2000 – “nada se cria, tudo se copia” (inclusive sua própria frase). Também é possível lembrar do documentário Everything is a Remix, disponível legendado no Youtube, que aborda o aspecto da remixagem da nossa cultura.

Tarantino é a cultura pop norte-americana em cinema. Toda sua obra é fundamentada nas premissas que a orientam, então o “remix” não poderia ficar de fora – assim como acontece no hip hop, só para lembrar de outro produto cultural fundamentado na mescla de outros produtos culturais.

O que o diretor faz é reunir todas as referências que o inspiraram a ser cineasta e as reorganiza em um novo enredo. No final obtém uma história centrada em pontos de virada, violência, sensualidade e muita música – não é à toa que Tarantino e Lawrence Bender fundaram “A Band Apart Records” para lançar as trilhas musicais dos filmes, mais um indício enorme de sua paixão pela cultura que envolve seus filmes.

Na internet é possível encontrar diversos vídeos que relacionam essas referências:

 

Compilações de vídeos de referências usadas pelo Tarantino:

 

Quentin Tarantino’s Visual References de Jacob T. Swinney no Vimeo.

 

No blog Cinema com Rapadura o e-mail de uma ouvinte do podcast deles conta como “Um pesquisador de filmes antigos nos EUA, pupilo do mestre Danny Peary, disse que por baixo ele consegue apontar nos dois Kill Bill uma média de 200 filmes”. Apesar das críticas recebidas pelos haters, a ouvinte afirma que os fãs reconhecem ser essa a sua habilidade.

E que habilidade! Quem dera eu tivesse o poder de recombinar 200 filmes e criar um novo com bilheteria milionária e estatueta dourada brilhosíssima do Oscar.

 

Quentin Tarantino posando no Oscar e apontando pra sua estatueta.

Como diria Eduardo Jorge: quero.

 

Plágio não é a única acusação que o diretor recebe. Outra grande inimiga de sua carreira é a fama de ser racista ou, no mínimo, de ser profundamente desrespeitoso com a história da escravidão e do racismo nos Estados Unidos.

 

Racismo vs Retrato

 

Com filmes repletos da “n-word” (joga no Google), Tarantino tem outra habilidade incrível: ignorar completamente o lugar de fala dos negros e usar a expressão como se não houvesse problema algum. Essa prática em seus filmes acarretou uma forte rivalidade com outro diretor renomado, Spike Lee.

Em diversas situações o uso da palavra com “n” nos filmes de Tarantino é contextualizado de forma que os personagens sejam racistas, mas não o diretor. Porém, Django Unchained pode ter reafirmado a sensação de desrespeito histórico, como veremos mais adiante.

Apesar disso, Samuel L. Jackson defende o diretor do rótulo de vilão: com exceção de Django, o ator afirma que todos os personagens que interpretou para Tarantino eram os mais inteligentes e valorosos dos filmes em questão. Dignos, cheios de respeito e líderes.

Uma das críticas a Django Unchained é que Django, quem deveria ser o protagonista, migra para a posição de “segundo personagem mais importante”. Mesmo que o filme tenha seu nome, a centralização se dá muito sobre Christoph Waltz, talvez na tentativa de repetir o sucesso do ator em Bastardos pelo qual foi premiado no Oscar. Django parece ser orientado por diversas tentativas de repetir o filme anterior de Tarantino, principalmente no quesito vingança histórica. Porém, é exatamente nesse ponto que existe uma diferença crucial entre os dois.

Enquanto Bastardos é a materialização da vingança dos judeus sobre Hitler, Django não confere todo essa “satisfação” aos negros. Mesmo que “vençam” uma luta contra Calvin Candie, uma alegoria para os exploradores de escravos norte-americanos, ativistas engajados na causa negra afirmam que o filme acaba apenas modernizando o imaginário da escravidão com uma trilha musical e outros elementos culturais contemporâneos.

 

 

Além disso,  possui uma cena em que a Ku Klux Klan (seita racista, violenta, assassina e cruel dos EUA) é retratada com uma profunda burrice. Me recordo de assistir a discussão sobre a fabricação das carapuças brancas e lembrar do humor de Monty Python. Algo ridículo e sem sentido, mas bastante engraçado. Se por um lado essa cena pode ser um retrato da burrice que é o preconceito, por outro, muito mais sério, pode diminuir o impacto que a KKK teve sobre a questão racial no país. Spike Lee, diretor de cinema renomado, negro e autor de uma obra incrível que inclui o filme Bamboozled, tuitou sobre Django Unchained e o humor:

 

“A escravidão americana não foi um Spaghetti Western de Sergio Leone. Ela foi um holocausto. Meus antepassados são escravos roubados da África. Eu os honrarei.”

 

O estilo Quentin Tarantino: Música

 

Antes de falar dos aspectos visuais dos filmes, que seriam o mais esperado ao se falar de cinema, quero apontar algo muito significativo nessa obra, tanto que podem aparecer em um guia tarantinesco completo antes mesmo da imagem: a trilha musical.

Para começar Os Oito Odiados (Hateful Eight, 2015) ganhou o Oscar de melhor música original (escrita para o filme) por Ennio Morricone, responsável pela composição e arranjo de mais de 500 produções e famoso pelas trilhas de western para os filmes de Sergio Leone. Além disso, a música do filme venceu outros 21 prêmios ao longo de 2016, conforme a lista de prêmios do IMDB.

Novamente, o mérito de Tarantino é o de ter excelentes referências e escolher a dedo aquilo que fará parte do universo que criou. Morricone, assim como todos as escolhas feitas ao longo da carreira de Quentin, não foi diferente. Na internet rolam histórias de que o diretor precisou insistir muito para que o compositor aceitasse participar do projeto. Ficamos felizes que ele tenha aceito.

 

 

 

Apesar da quantidade opressora de prêmios ganhos pela trilha musical de Os Oito Odiados, os filmes de Tarantino são regados à música desde o comecinho da carreira. Uma cena de Cães de Aluguel mostra os gângsters reunidos no café da manhã ouvindo a teoria de Mr. Brown (interpretado por Quentin Tarantino) sobre Like A Virgin da Madonna. Já Pulp Fiction tem uma trilha musical tão fantástica que conheci primeiro ela e depois o filme (e acho que conheço melhor as letras do que as falas).

O filme “Jackie Brown”, uma adaptação da literatura para audiovisual feita por Tarantino, possui uma trilha musical tão bem selecionada pelo diretor quanto a própria história que decidiu gravar. Em Kill Bill há aquele assobio vastamente conhecido. Por mim, por você, pelos nossos pais e, se duvidar, vovôs e vovós vão assobiar também – sem contar o fato de que My Baby Shot Me Down fez a noite de muita baladinha top.

De Bastardos adiante, Morricone estava lá. Em À Prova de Morte existe uma cantora, uma jukebox dos sonhos e uma radialista com opiniões fortes e contundentes sobre música.

 

Uma curiosidade: como comentei lá em cima os Back Eyed Peas relembraram em Pump It a trilha de Pulp Fiction, Misirlou do Dick Dale. Mas Misirlou é, por sua vez, uma remember (um cover, ao que tudo indica) de um som grego, cuja gravação mais antiga é de 1927.

 

O estilo Quentin Tarantino: Imagem

 

Já vimos lá em cima a influência que Pulp Fiction teve no audiovisual, sendo uma das principais referências visuais para Breaking Bad. Realmente, algumas características marcantes permeiam os filmes do diretor. Cores, ângulos, montagem, estrutura de roteiro, movimentos de câmera e obsessões são alguns dos itens que mais se destacam.

 

CORES

 

Vermelho e amarelo. Alguém discorda? É possível que alguns filmes tenham outras tonalidades, que o filtro da imagem não seja quente, mas os detalhes e as letras que aparecem em tela provavelmente serão. Sem fugir da regra, essas cores estão presentes em diversas influências da obra de Quentin Tarantino: da roupa clássica de Bruce Lee aos cartazes de filmes trash.

Poster de kill bill vol 1. À direita Beatrix Kido com a roupa em homenagem a Bruce Lee, empunhando uma espada. No centro o texto "Kill Bill". À esquerda uma mancha de sangue.

 

 

ÂNGULOS

 

O contra-plongée, câmera posicionada de baixo (ou no nosso dia-a-dia, ativar a câmera frontal do celular sem querer) é a assinatura-mor aqui. Não é um código do qual Tarantino abuse, mas essa posição de câmera é marcante o suficiente para que seja sempre lembrada.

 

Contra plongée Tarantino em Bastardos Inglórios

 

 

MONTAGEM & DESENHO DE SOM

 

Montagem é uma daquelas coisas que quando você começa a perceber, se apaixona profundamente. Cada ferramenta bem usada é um suspiro. Então ver Mia Wallace tendo uma overdose, Beatrix Kido liquidando inimigos ou Mr. Blonde mutilando outro ser humano, pode sim trazer um sorriso ao seu rosto. E um dos principais motivos é que a cena está lá, mas você não vê. A montagem deixa que o som conte essa história – quando Mia toma a injeção de adrenalina, não podemos ver o momento, mas ouvir a espetada no coração.

 

Vincent Vega, seu traficante e a esposa do traficante se preparam para dar uma agulhada de adrenalina em Mia Wallace. Cena de Pulp Fiction.

 

ESTRUTURA DE ROTEIRO

 

A forma como Quentin Tarantino estrutura suas histórias é outro elemento apaixonante. Pulp Fiction e Kill Bill me conquistaram no início da adolescência porque seguiam uma estrutura de roteiro completamente diferente dos filmes mais populares com os quais eu estava acostumada. A não-linearidade temporal abriu meu coração para a arte de contar histórias. Dali em diante percebi que não há nada como uma história que começa pelo final. Ou pelo meio. Ou por um lugar que eu não sei bem qual é, mas que é maravilhoso.

 

divisão de capítulos de quentin tarantino

 

MOVIMENTOS DE CÂMERA

 

Um elemento primordial na linguagem e definição de estilo são os movimentos de câmera. Alguns diretores não mexem nada, outros são frenéticos, correndo atrás do personagem. Para Tarantino, o movimento mais memorável é visto na primeira cena de Cães de Aluguel e em À Prova de Morte. Enquanto o grupo de gângsters, no primeiro, e de cineastas mulheres, no segundo, conversam em uma mesa de café, a câmera gira ao redor delas, tentando encontrar espaço entre as pessoas para ouvir uma conversa que parece muito interessante.

 

OBSESSÕES

 

Pés acima de tudo. Carros, cultura pop, música, mulheres, violência e cinema. São elementos muito específicos que compõem a atmosfera de seus filmes e podem ser percebidos a cada novo lançamento do diretor.

 

 

Os filmes

 

A lista completa de filmes está disponível no IMDB ou Wikipedia, com sinopses, atores, prêmios e todas as informações técnicas possíveis. Não vejo como sendo algo muito útil repetir o conteúdo aqui, então busquei destacar informações que podem levar você a ter um olhar mais aprofundado sobre a obra.

Porém, uma lista breve com apenas os filmes que ele dirigiu, pois muita gente atribui a ele produções de outros diretores, o que prejudica o entendimento sobre a obra. Filmes “escritos por” e “produzidos por” aparecerão na próxima seção, contextualizados em seu universo expandido. Para ver séries, curta-metragens e eventuais outras realizações audiovisuais, confira o IMDB ou Wikipedia.

 

1. Cães de Aluguel – gangsters identificados por cores se organizam para um assalto a joalheria, mas algo dá errado.

2. Pulp Fiction – Histórias paralelas, gângsters, drogas, boxe e narrativa não-linear.

3. Jackie Brown – Uma aeromoça se envolve com tráfico de drogas. História não escrita por Tarantino.

4. Kill Bill: Vol. 1 e Vol. 2 – A história de vingança de uma mulher quase morta durante sua gravidez por um grupo de assassinos profissionais. A mulher: ex-membro do grupo.

5. À Prova de Morte – Um psicopata que usa o carro para matar mulheres jovens.

6. Bastardos Inglórios – Batalhão norte-americano de judeus e a dona de um cinema na França, também judia, planejam matar Hiter.

7. Django Livre – Django, um escravo liberto, planeja resgatar sua mulher de um senhor de escravos brutal e violento.

8. Os Oito Odiados – o encontro entre caçadores de recompensas, caçados, insanos e uma tempestade de neve terrível.

 

Ao contrário do que muitos pensam, Sin City e O Albergue não são filmes de Tarantino. No primeiro trabalhou como diretor convidado, o que, na minha opinião não passou de uma forma de atrair atenção para o filme. Em O Albergue, Tarantino foi produtor executivo.

Outros filmes fazem parte do Universo Tarantinesco e merecem destaque: Amor à Queima Roupa (escrito), Assassinos por Natureza (história), Um Drink no Inferno (roteiro) e Eles Matam Nós Limpamos (trecho escrito). Por que esses filmes merecem destaque?

Algumas teorias, nas quais eu gosto de acreditar, dizem que Tarantino criou um universo gigantesco separado em diversos filmes – uma espécie de universo expandido.

 

[ALERTA DE SPOILERS] Universo Expandido

 

Esse tipo de história cria diversas relações entre várias partes. Elas podem ser transmidiáticas, incluindo filmes, séries, livros, quadrinhos, jogos, sites e outros tipos de mídia. No caso de Tarantino, se considerarmos apenas seus filmes, teremos um universo gigantesco totalmente interligado – se você tiver fé na teoria.

Melhor do que falar é mostrar. Por isso, sugiro que você assista o curta-metragem Tarantino’s Mind, que resume essa complexidade. Em alguns pontos eu discordo e tenho outra linha de pensamento, a qual pontuarei logo abaixo do vídeo.

 

 

A minha principal discordância é sobre Mia Wallace e Beatrix Kido serem a mesma pessoa. Faz mais sentido a ideia de que existe um universo dentro de um universo. Os filmes mais “realistas” como Pulp Fiction e Cães de Aluguel, são o primeiro nível do universo. São o “mundo real” de Tarantino. Filmes muito sanguinolentos e absurdos, como Kill Bill e Bastardos Inglórios, são ficções dentro desse universo “real”. São o segundo nível.

Ou seja: As personagens de Uma, Mia Wallace e Beatrix Kido, são a mesma pessoa, mas Mia é uma atriz e Beatrix a personagem da série que ela participou – aquela que ela conta para Vincent Vega na noite que jantam juntos.

 

Algo a acrescentar?

 

Muito mais poderia ser dito sobre sua carreira, estilo e polêmicas. Caso algo importante apareça nos comentários, com certeza irei adicionar. Também, se apontarem coisas erradas, corrigirei.

Convido todos a comentarem e, quem tiver interesse em conhecer mais sobre outros grandes nomes, assinar nossa newsletter. Iremos publicar textos completos assim com certa frequência.

 

Obrigada a todos que acompanharam essa jornada até o final, bons filmes e boas histórias. <3


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